Bioluminescência nos Cupinzeiros

Parque Nacional das Emas

Tudo começa no início da primavera.

Os vaga-lumes da espécie Pyrearinus Termitilluminans depositam seus ovos na base do cupim, praticamente no chão, formando um círculo de ovos brilhantes.

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Como tudo acontece

           Ao mesmo tempo, a medida que a temperatura atmosférica sobe para cerca

de 25 graus Celsius, larvas que vivem em cupins tentando alcançar o ciclo para atingirem a fase adulta desde as estações dos anos anterioriores, reativam suas atividades predatórias. Ainda sem chuva, mas já quente, isso ocorre apenas em cupins muito próximos ao rio, onde há umidade permanente. Após fortes chuvas, o fenômeno pode acontecer em quase todo o parque. O calor que já existia, junto com muita umidade,

faz com que uma enorme quantidade de larvas dentro dos cupinzeiros brilhem na mesma noite.

As larvas retomam suas atividades identificando as condições climáticas ideais para a dispersão de cupins alados. Portanto, o clima é o principal fator de ativação das larvas luminescentes, independentemente da existência de cupins alados ao seu redor.

No entanto, unido-se os dois fatores, clima ideal com dispersão de aleluias, a quantidade de larvas luminescentes que aparecem nos cupinzeiros tem um aumento significativo.

Larvas luminescentes são predadores vorazes e acionadas para capturar qualquer abordagem de insetos voadores. É possível alimentar as larvas capturando um cupim alado e entregando-o a uma delas. Essas larvas pequenas são tão agressivas que, se uma encontrar outra, apenas uma sobreviverá e a outra será devorada. Quanto maior a altura da larva no cupim, mais antiga é a larva.

A metamorfose ocorre rapidamente com larvas luminescentes mais próximas do

topo do cupim. Após a metamorfose, um novo ciclo recomeça. As lavas que se encontram nas partes mais baixas do cupinzeiro mudam gradualmente para uma posição mais alta no monte de cupins, substituindo o espaço vazio no qual outros já se metamorfosearam.

Ao mesmo tempo em que tudo isso acontece, às vezes podemos ver no horizonte, milhares de vaga-lumes adultos da mesma espécie se comunicando através da frequência luminosa, para um verdadeiro festival de

acasalamento.

Este é apenas um resumo da multiplicidade de fatores que cercam esse maravilhoso fenômeno da Bioluminescência.

 

Texto: Ana Luzia Souza Cunha. Guia do Parque Nacional das Emas.

Foto; Ary Bassous

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